blog

Neste início de ano tive a oportunidade de participar de uma conversa sobre o uso da internet. A audiência era principalmente feminina e a maioria na faixa dos 20 anos. Eu falava com elas sobre programação e de como é importante inserir as meninas neste universo sem qualquer discriminação. Eu contei para elas que a primeira pessoa a escrever um algoritmo para uma máquina foi uma mulher: Ada Lovelace. Eu confessei que me senti culpada porque, em algumas situações, mesmo com toda a bagagem que tenho e com todo o cuidado que tomo, deixei passar a oportunidade de colocar uma menina em uma situação de destaque, para que ficasse claro para elas que não depende de gênero a capacidade de raciocinar logicamente. Eu… eu fiz isso. É imperdoável. Sim, estão profundamente enraizados estes conceitos sexistas!

Mas eu fiquei tremendamente surpresa com os depoimentos que surgiram a partir destas colocações. Estas meninas cultas, que trabalham, que estudam, em pleno século XXI, fizeram questão de contar, com um tom de amargura:

“minha avó me chamava para ajudar nos serviços da casa, lavar a louça, varrer, mas meus irmãos continuavam brincando na rua”

“meu irmão pode dormir na casa da namorada, mas eu não posso” e dissemos a ela: brigue pelo seu direito. A resposta: “meu pai me coloca para fora de casa”

Sou mãe de três meninas. Faço muita questão de lutar por um mundo mais receptivo às diferenças. Basta que se olhe para o lado. Sua vizinha ainda está apanhando, no outro lado da rua o rapaz deixou a menina com o bebê pequeno e nunca mais voltou, sua conhecida está sofrendo assédio moral ou sexual no trabalho, e alguém que você conhece está sendo ridicularizada em suas opiniões porque é mulher.

Precisamos urgentemente elevar a nossa auto estima. Reconhecer nosso potencial e nosso valor. Passa por este processo de auto-aceitação o caminho da igualdade. Só nós poderemos construir este caminho. Passo a passo, dia a dia. Para isso, precisamos aceitar mais a opinião das mulheres a nossa volta. Menos julgamento. Precisamos acreditar mais no nosso valor. Várias, várias, várias vezes leio nos chats, ou ouço as meninas dizendo: “desculpe… é que sou meio burra”, “desculpe… é que sou tonta” – e várias vezes eu corrijo estas meninas, mulheres. E me solidarizo com elas. E me vejo em situações em que recebi olhares de reprovação por não ter entendido alguma colocação ou por ter perdido alguma linha de raciocínio. Olhares que nos forçam a dizer: “desculpe”. Que estão implicitamente dizendo: “é mulher, não entendeu”. Sim. Isto não é ilusão. Acontece. E a gente incorpora, introspecta e fica insegura.

Neste 2015, no Dia Internacional da Mulher, queremos mostrar o dedo do meio para todos estes olhares, para todas as observações sexistas, para todas as piadinhas de mau gosto. Queremos repetir: Somos foda. Mesmo. Exaustivamente. Até que a gente perceba e se convença de uma vez por todas de que somos foda. Mesmo.

Que não restem dúvidas.

Marina

 

Tags

No responses yet

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.