We_Can_Do_It!

Tem sido uma experiência gratificante este trabalho que estamos desenvolvendo com a Marré deci. Temos muitas ideias, muitas vontades que tentaremos concretizar no decorrer do tempo, mas coisas inesperadas acabam acontecendo e a gente se surpreende.

Uma das surpresas é que gatilhos vão promovendo um certo “revival”! Minha filha mais nova tem agora 13 anos, então todo este processo de parir, amamentar, criar bebês, já estava meio longínquo na minha memória. E tem coisas que tenho tanta vontade de compartilhar. Porque minha vista tem um ponto muito diferente, nas perspectivas de tempo, estilo de vida, experiência.

Daqui onde estou, eu entendo que a gente não precisa sofrer tanto com as expectativas, porque este período que parece tão longo, pelo peso da carga de emoção que carrega, na verdade é bem curto. E muito sofrimento poderia ser evitado se a gente conseguisse dar o devido “desconto”. O que eu quero dizer é que vamos estar por muito tempo com nossos filhos, vamos ter tempo para errar, acertar, errar de novo. Há tempo para tudo.

Este final de semana eu li este post aqui no blog Grávida, estado civil mãe (solteira) e lembrei de mim mesma. E realizei que tive muitas experiências em minha vida. Fui mãe solteira, fui mãe acompanhada (embora solteira, porque nunca me casei, porque nunca acreditei no casamento, embora tenha tido um companheiro por mais de 10 anos).

Eu vou falar desta minha experiência de “produção independente” com um objetivo bem claro: empoderar mulheres. É muito chato que a gente tenha que nascer e crescer ouvindo dizer que nós somos fracas, delicadas, sensíveis, más motoristas, desligadas, incapazes, e por aí vai. Estes conceitos vão sendo revelados insidiosamente, mansamente, disfarçados (já falei sobre isto) e a gente acredita.

Na verdade a gente pode. Pode mais do que pensa e precisa acreditar nisto. A gente pode fazer tudo o que eles fazem e com um filho no braço. E isto nos faz maior. Não menor.


Ginger Rogers: Faço tudo o que ele faz, e de salto!

Quando eu engravidei estava com 30 anos, tinha meu apartamento e era responsável pelo meu sustento. Isto não foi suficiente para que a “família” me considerasse persona non grata. E verbalizasse isto com frases do tipo “agora você estragou sua vida”, “desista que você não vai fazer mais nada de sua vida” e aí por diante. Nove meses de gravidez e nenhum convite para um café (ainda bem pois eu enjoei do café!) e com alguns requintes de crueldade, porque sempre passei muito mal, e em uma das vezes que voltava do trabalho no meio da manhã, encontrei com uma de minhas irmãs que me olhou com ar de desprezo (“aí! Bem feito!”), virou as costas e foi embora. Contei com o apoio de minha mãe, mas fui sozinha às consultas de pré natal, fui dirigindo para o hospital no dia do parto (e ainda parei no banco para pagar um boleto no caminho, porque sou meio maluca, mesmo). Deixei de ser convidada para os aniversários e até o natal passei sozinha. Recebi uma visita no hospital, de minha cunhada, além da minha mãe.

Conto tudo isto para que se ponha em proporção a ausência do pai. Não tem pai? Hummm… Caracoles, se isto não é machismo, o que é então?

Passar por todo este processo sozinha E grávida é complicado, no momento em que se passa. E eu decidi que se o pai não estava disponível para cumprir as responsabilidades, não era necessário que me procurasse mais. Cuidar do bebê, eu cuidaria sozinha. E assim fiz, recusando todas as ofertas que ele me fez depois do nascimento da minha filha.

Só que… a menina foi crescendo e pediu pelo pai. E daí, como faz? Na época o que nós, mães, líamos eram os livros do Dr. Brazelton. Em um destes livros ele aconselhava: nunca fale mal do pai para os filhos. Uma das mães perguntava: “mas e se o pai for um canalha?” Dr. Brazelton responde: “Então minta!”.

Eu vi a lógica daquilo. É claro. Ponha-se no lugar de seu filhx, lembre quando você era pequena, o horror de alguém dizer algo de seu pai ou sua mãe! Agora contabilize isto na cabeça de uma criança pequena. É pai dela. Por pior que o sujeito seja, para a criança pequena ele será um heroi. E, cá entre nós, alguma coisa de bom ele tem que ter, afinal… né? Você ficou com ele. Nem que seja a bagagem genética. E foi assim que liguei para o pai e apresentei para minha pequena. Depois acabei indo morar com ele, mas aí já é outra história.

O que importa aqui é que não podemos deixar nossos filhxs sofrerem para conservar nosso orgulho. O tempo vai passar, as proporções vão se adequar. A criança vai crescer, entender e formar seu juízo e sua opinião. E é saudável respeitar isto. O sofrimento de engolir o orgulho vai ficar esquecido na poeira e você vai se orgulhar (agora sim, com razão) de ter feito a coisa certa! Só Mulheres podem!

Marina

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2 Responses

  1. Olá. Vim pelo link do Agrega pais. Achei linda sua história. Diferente de você, acredito no casamento, sou casada e tenho dois filhos, e sei o quanto faz falta uma ajuda enquanto grávida… e depois que eles nascem.
    Sinceramente, depois de ser mãe, eu passei a dar um maior valor às mães solteiras. É muito muito muito difícil a fase em que eles estão pequenininhos, e que uma mãe casada espera ansiosamente a chegada do marido para tomar um banho, lavar uma louça ou comer sentada… e sem ele? o que fazer?
    Para mim, toda mãe solteira é uma heroína. Primeiro o fato de levar a gravidez adiante, num mundo em que as pessoas são descartáveis e o egoísmo é gritante. Não estragar a vida é um dos maiores motivos para um aborto.
    Segundo, porque a gravidez é um momento complicado, onde não somos nós mesmas por 9 meses… enjoos, dores, peso, roupas que não servem, mole para chorar… por mais que tenhamos curtido nossas barrigas, é sim um momento difícil, e que a ajuda de alguém torna melhor.
    E depois, cuidar de um bebê. É lindo, emocionante, maravilhoso… mas muuuuuuuuuuuuuuito trabalhoso, cansativo, desgastante, principalmente no início.
    Enfim, tudo isso é para te dizer: Parabéns! Por ser mãe, por ser lutadora e vencedora, por não ser egoísta, mas pensar em sua filha acima de tudo e acima da sua própria vida! Isso é lindo, e é de mãe… mas infelizmente nem todas pensam assim! Meu sincero respeito por tudo o que você viveu e passou, por sua bela história!
    Um beijo
    http://www.aprendendoasermaehoje.com

  2. Oi Dani!
    Obrigada pelo comentário e pelo apoio.
    O objetivo de compartilhar esta experiência é este mesmo, procurar inspirar outras mães e mostrar que a vida é longa e muita coisa vai acontecendo conforme os filhos crescem. Porque quando a gente está no meio dos acontecimentos perde as referências e tende a dar mais valor a determinadas coisas que no fim não tem taaaanta importância assim, certo?
    Hoje tudo isto já é passado remoto para mim, já estive casada, já tive outras 2 filhas, enfim, nada é permanente!
    Não vale a pena se estressar demais, né?
    Beijo e vou visitar seu blog, viu?

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