Meu avô Mathias!

Meu avô Mathias!

A imagem dos avós é sempre uma coisa tão doce, se associa com bolinho, tricô, calor e carinho. Pois é. A vida me deveu esta! Meus avós estavam 100% fora do perfil. Minha avó  paterna era uma rocha. Bugra, órfã, cresceu trabalhando, trabalhou a vida toda e fez o que poucas mulheres foram capazes de fazer em sua época. Uma grande mulher! Merece um post só para ela.

Mas é da minha avó materna a história que vou contar. Porque é uma história bem diferente. Esta minha avó era muito chique e tinha uma vida social muito ativa. Caçula de muitos filhos, foi bem mimada, também.

Como morávamos com minha avó paterna, quando meus pais saíam eu ficava “em casa”. Um dia, não sei porquê, minha mãe me deixou em casa da mãe dela e saiu. Faz muito, muito tempo, mas eu lembro como se fosse hoje, pelo clima de terror que se instalou na sequência.

Minutos depois que minha mãe saiu, a avó olha no relógio e pergunta para mim:

– Sua mãe não vem te buscar? Já está ficando tarde…

Eu não lembro se respondi. O que lembro é que logo em seguida ela, olhando no relógio:

– Será que tua mãe não volta?

E assim a coisa foi evoluindo. Para uma criança isto é terrorismo de alto grau, certo? Então (e eu lembro deste raciocínio até hoje!), resolvi sair da casa e ficar no jardim. Se ela não me visse, talvez desistisse de perguntar sobre o paradeiro da minha mãe. Porque até eu já estava começando a achar que nunca voltaria.

Eles, a avó e o avô, estavam arrumando o carro para uma viagem. E tomavam muito café. Na falta do que fazer eu comecei a andar em torno do carro, e resolvi abrir uma das portas. Bem aquela em que estava encostada a garrafa térmica de café! Claro que caiu, quebrou e o café escorreu pela calçada!

Desespero! Aflição! E agora? O que vou fazer?

Fechei direitinho a porta e desta vez sumi mesmo, escondida no quintal. Daí eu escuto:

– Mathias (o nome do meu avô)! Mathias! Você quebrou a garrafa térmica!

– Não, não quebrei!

– Quebrou, sim! Olha aqui… O café todo no chão!

– Não quebrei!

Confesso que não lembro o que aconteceu depois disto. O fato é que nunca, nunquinha contei para minha avó que fui eu que quebrei aquela garrafa. E nunca pedi desculpas ao meu avô por ter deixado ele levar a culpa!

Na verdade, meu avô era o mais carinhoso de todos. Habilidoso, nos mostrava como construir casinhas de passarinho, fazer dobraduras. Sabia um monte de truques de mágica, fazia desenhos engraçados, recitava rimas em alemão. As memórias mais doces que tenho vêm dele.

Então, neste dias dos avós, vou aproveitar para me redimir. Onde quer que você esteja, vô, espero que fique sabendo que fui eu, euzinha que quebrei a garrafa!

Marina

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