Brincando-de-boneca

Vou registrar os fatos . Você tira as conclusões.

Quando a minha filha mais velha estava com 5 anos, trabalhávamos no clube de relacionamento de uma loja de brinquedos. Como tínhamos desconto de funcionário compramos uma boneca muito linda que chorava e alterava a expressão do rostinho, produzindo lágrimas. Fazia xixi, também. A coisa mais linda. Apesar do desconto, ainda bem cara. Mas quebrou. Trocamos. Quebrou novamente. Desistimos. As meninas brincaram com a boneca por muito tempo, mas como um bonecão normal, que teria custado 1/3 do preço. Nada fazia neste universo em que estamos. No universo paralelo da imaginação infantil, era perfeita.

Passaram anos. Minhas filha do meio estava com 8 ou 9 anos e surgiu no mercado a Miracle Baby. E as amigas da escola tinham a tal boneca. Claro, que veio o fatal: “eu quero!”

Em épocas financeiramente menos propícias, sem desconto em lojas de brinquedo, sem companheiro para dividir a despesa, a resposta foi, e passou a ser repetidamente: não!

Quem é mãe sabe, por mais que estejamos seguros da decisão, dizer não é difícil. Sempre fica um sabor de dúvida. Será que eu não tinha que dar um jeito e comprar a tal boneca?Afinal, a mais velha tinha ganho uma similar.

Ao final, não comprei a Miracle Baby. 

Há alguns meses, estávamos em uma loja de brinquedos comprando jogos e quem mais estava lá? Pairando, soberba, da última prateleira das bonecas mais caras e mais lindas? Ela, a Miracle Baby.

E minha filha diz:

-Olha, mãe! A Miracle Baby. Putz! Ainda bem que você não comprou esta boneca para mim, né? Que porcaria!

Marina

 

 

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