sozinha

 

Tem um livro do Eduardo Giannetti chamado O Auto-Engano. Fala de como é natural se enganar, se auto-enganar e ser auto-indulgente. Faz parte da preservação. E não é só o homem que usa deste artifício. Outras espécies na natureza também lançam mão.

O livro é ótimo. E melhor ainda é ler e começar a perceber os truques que a gente se aplica, e os perdões que a gente se dá. Acreditamos merecer cada um deles, claro. E digo acreditamos no real sentido da palavra. É nisto que consiste o auto-engano. A gente acredita do fundo do coração. Só com muito esforço iremos admitir que poderia ser uma burlada na realidade.

Ontem eu li um post que fala da forma de educar. É o resultado de uma pesquisa americana: Criação Moderna… A pesquisa mostra que deixar um bebê desatendido pode ser muito prejudicial e em vários aspectos. E que bebês precisam muito de contato físico, precisam mamar no peito, ser tocados e tocar. Critica fortemente o método de deixar o bebê chorando no berço até dormir, a amamentação artificial e por aí vai.

E vamos juntar estas informações do artigo com a nossa vivência diária, em que nos defrontamos com algumas crianças que são realmente problemáticas. Mal educadas, mesmo. Crianças para quem claramente faltou limite. Respondem mal aos pais. Não respeitam professores. E, o que é muito pior, pais que estão nitidamente orgulhosos deste comportamento atípico dos filhos.

Então vou voltar ao auto-engano. Fácil, fácil deixar um bebê indefeso chorando no berço. Fechar a porta e dormir. Fácil não amamentar porque o bebê não pega, ou o leite é fraco, ou o pediatra disse que é melhor usar a mamadeira. Neste caso vamos acreditar na “psicologia” em vigor. Afinal temos até fundamentos científicos, podemos provar que é a forma mais “moderna” de educar. O bebê não faz birra, não se revolta, a sua manifestação somente será válida para o cuidador atento, intimamente ligado às suas expressões corporais e faciais. Passará despercebida pelo cuidador que vai deixá-lo chorando à própria sorte.

Mas, o bebê cresce (já com algumas carências) e agora, sim, hora de colocar os limites. Hora de permitir que ele seja responsável pelas suas ações, por menores que sejam. Que junte os brinquedos, que não brigue com as crianças menores, ou seja, dar a esta criança as noções de seu próprio desenvolvimento. Dar a perceber que está crescendo e que tem obrigações. Que há consequências para as pessoas (de qualquer tamanho) que não cumpram com suas obrigações.

Fácil, fácil é não fazer nada disto. E, mais uma vez, podemos até nos fundamentar por artigos, papers, casos, em que prova-se que a educação rígida pode ser traumática. E assim, ao invés de travar batalhas diárias com a criança (simplesmente porque ela precisa destas batalhas para se desenvolver com saúde), deixá-la fazer o que quer. E orgulhar-se disto. “Ah! O menino é rebelde! Quero ver você dar conta dele na sua sala de aula! Hahaha!”

Estas não serão crianças felizes. Simples assim.

Agora que já sabemos que o auto-engano existe, vamos continuar a nos enganar, claro! Impossível ser diferente. Mas vale a pena prestar muita atenção quando estamos nos relacionando com os filhos. Será que nossas atitudes refletem o que acreditamos ser o melhor para eles? Porque criar filho é trabalhoso e cansativo. Levantar para acudir bebê chorando a noite toda é difícil. Discutir a cada meia hora com criança é sufocante. Ou será que apenas estamos com preguiça e deixamos passar? Daí é auto-engano!

Marina

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