Você já ouvir falar nos pés de Lótus? A tradição chinesa de amarrar os pés das mulheres? Assim se fazia para que elas ficassem atraentes e pudessem chamar a atenção dos homens. A contrapartida da tradição seriam dores e sequelas que as acompanhariam por toda a vida.

As mulheres chinesas não amarram mais os pés, mas a tradição só foi abandonada no início do século XX. Custou para que elas conseguissem deixar de acreditar que o tamanho de seus pés significaria a aceitação social e a conformidade com os padrões de beleza.

Outro dia, vi no Facebook um vídeo da ceramista Maria Cheung contando que a bisavó dela tinha os pés amarrados. Neste vídeo ela fala sobre o trabalho que fez e a alegoria de se ter os pés amarrados e estar impedido de caminhar, de trilhar seu caminho, de andar com os próprios pés.

O impacto do trabalho da Maria em mim foi enorme. É esse o objetivo da arte, não é verdade? Além da arte, a palavra bisavó me deu a percepção de que faz pouco, pouquíssimo tempo, que adquirimos a nossa autonomia.

Percebi o valor imenso dessa autonomia. Como é importante que possamos decidir por nós mesmas. Como é importante cultivar a autonomia de nossas crias. Como é importante celebrar os nossos pés que completam o caminho dos nossos pensamentos. Em alegoria ou não.

Ainda, traçando o paralelo entre os pés de lótus – a relutância das mulheres chinesas em abandonar o hábito – e a ditadura da beleza que vem levando vidas, literal ou emocionalmente, das mulheres ainda nos dias de hoje, seria tão bom que conseguíssemos compreender que basta de amarrar, cortar, ceifar.

Deixemos livres nossos pés, nossos corpos e nossas almas. Livres e abertos para a felicidade.


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