Eu sempre amei cachorros. E sou daquelas que olho torto pra quem diz que não gosta. Não cabe a mim julgar ninguém, mas sinceramente… Como pode?

Quando eu era menor, tinhamos em casa uma dachshund toda marronzinha: Lika. Daquelas que parecem uma linguicinha, sabe? Não era lá o tipo certo de cachorro pra uma casa com duas crianças. A Lika vivia perdendo a paciência com a gente (com toda a razão, admito) e rolavam umas discussões com direito a latidos e rosnados meio violentos. Quando soubemos que minha segunda irmã estava chegando, a Lika teve que seguir a outro lugar em que pudesse receber a atenção de que ela precisava.

Lika

Algum tempo depois nos mudamos para uma casa com um quintal grande e bastante espaço para receber um novo membro à família. Ganhei uma Boxer: Roli. A raça tem essa carinha de mau humor, meio rabugento… Mas é SÓ a cara. Quem já teve sabe e vai concordar comigo que é muito mais do que um cachorro. Eles literalmente entram na família e não tem como evitar.

Sou a mais velha no nosso trio. A duas mais novas são quase da mesma idade, apenas 1 ano e 4 meses de diferença.

A do meio tinha medo de cachorro (!) por mais incrível que pareça. Mas isso durou pouquíssimo tempo, provavelmente pela influência de todos os amantes de cachorros com quem ela convivia…
Toda vez que a Roli passava perto era aquele chororô. Comigo, que era um pouco mais velha, a Roli não tinha frescura: quando me via, vinha logo correndo, pulando, lambendo e fazendo toda aquela festa, que a gente nem merece tanto, mas ama de paixão. Mas com minha irmã ela tinha muito cuidado. Nunca atravessava os limites que a gente impunha e parecia entender de verdade o que ela queria, com uma paciência absurda.

A caçula tinha 1 ano quando a Roli chegou, e as duas foram crescendo juntas. O bebê logo começou a andar e quando saia pelo quintal a Roli estava ali, bem ao seu ladinho, seguindo em seu ritmo, pronta para servir de apoio no primeiro tropeço.

Infelizmente coisas acontecem e certo dia tivemos que nos despedir da nossa irmã de quatro patas.

Roli

Sempre que vejo vídeos desse tipo me lembro da Roli e de como ela foi querida aqui em casa.

Hoje em dia temos uma chatinha ranzinza MUITO da palhaça com a gente: Boo. Resgatamos a encrenca em uma feira de doação. Uma ninhada inteira havia sido abandonada e estavam todos procurando uma casa nova. Ela era a menorzinha e reclamava, choramingava feito louca. Tivemos muito trabalho na adaptação dela – doenças de pele, pulga, problemas com a ração – mas tudo valeu muito a pena. Cresceu e se tornou uma senhora cachorra, muito maior do que pensamos que seria, forte, brincalhona e MUITO inteligente. Aprendeu a sentar, deitar, rolar, dar a pata, tudo em menos de 1 hora (sem exageros de mãe coruja, juro!) E agora, sempre que oferecemos um petisco ela já faz logo tudo que é truque que sabe pra ganhar a comida de uma vez, sem nem ao menos a gente pedir. É muito orgulhosa e luta muito pra não mostrar, mas a gente sabe que ela nos ama tanto quanto nós a amamos.

Boo

E é isso que eu tanto gosto em cachorros. Eles são os únicos seres no mundo capazes de te dar esse amor infinito e incondicional.

P.s.: Minha mãe acabou de ler esse texto e está reclamando, dizendo que mães também são capazes de amar incondicionalmente…Pronto, mãe! Já arrumei.

Luisa

 

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