Brincadeira de criança

– Mãe! Posso ir na chácara do Bruno?  Essa pergunta vem saltitando da escola junto com a menina de 6 anos.
– Pode, sim. E ela vai, passa um sábado muito feliz.
Segunda-feira seguinte tem reunião na escola.
Diz a mãe (só) do Bruno, para mim e para as outras mães ali reunidas:
– Eu fiquei um pouco preocupada, porque, uma menina…. estou acostumada com guri. Achei que eu estranharia, mas no fim, é tudo igual. Quando vi estavam brincando em uma poça de lama. Sua filha dizia assim: olha, Bruno, aperto o barro na minha mão e parece cocô.

Eu pensei que todas as crianças são iguais, meninos e meninas, adoram brincar na lama! Pelo menos no que diz respeito ao aspecto escatológico da brincadeira, não há variação de gênero.

Quem tem 3 filhas sempre tem mais história para contar.
Esta história é da filha do meio, que foi sempre magrinha, espirrinho. Morávamos em uma casa com um grande quintal. Na parte de trás da casa ficava o quarto de brinquedos. Ali elas passavam horas. E, para mim, sobrava sempre uma surpresa. Ou era um peixe que esconderam por lá depois de dissecarem e que descubro em virtude do odor diferenciado – sim, menina gosta de ciência – ou uma meleca que fizeram juntando terra, areia, tinta e sei lá eu mais o que – sim, menina gosta de química. E taca lavar panelinhas, pratinhos, impregnados de meleca.

Bem, naquele dia ela estava sentada na mesinha com papel, pincel, guache.
E eu ingênua… Tola, tola, pergunto:
– Que linda, filha. Vai pintar?
E aqueles grandes olhos, inocentes, piscando:
– Vou, sim!
Vou cuidar de minha vida, que é o que faço nos poucos momentos que me sobram, e de repente vejo, no meio do quintal, um ser verde. Todinho, inteirinho, verde! De outro planeta? Não… Apenas a imaginação muito fértil da minha “princesa”, que, sou obrigada a dizer, estava muito, mas muito mais para sapo, naquele momento.

À minha memória vêm umas imagens que aparecem nas timelines da vida: mãe de menina, princesa, castelo, cor de rosa. Em minha casa a vida e as artes sempre tiveram outras cores. [Ainda bem].

E como não podia deixar de ser, tem a história da caçula. Essa odeia cor de rosa, adora carrinhos de controle remoto e pistas Hot Wheels. Sinto até arrepios na hora de fazer compras com ela. A indústria do vestuário infantil só conhece cor de rosa (e vamos voltar a falar nisto, e na Marré deci, em um próximo post). Não foram poucas as vezes em que, depois de muito procurar, tivemos que fazer algumas buscas nas roupas dos meninos. E com os brinquedos, a mesma coisa. E estes, diga-se de passagem, são quase uma afronta à inteligência feminina.

Cansei de ver a carinha meio envergonhada de minha pequena ao ouvir as vendedoras das lojas que insistem em nos dizer:
– Este corredor é dos meninos.
Só que agora a gente até já vai com a resposta pronta:
– Tudo bem, a gente não tem preconceito.

Tags

2 Responses

  1. A D O R E I este post!!!! é bem assim mesmo, né? criança não tem gênero, gostam de se divertir e pronto! e, na verdade, nós tb não, né?
    eu lembro de quando eu era criança, toda de vestidinho, meia-calça branca e maria-chiquinhas impecáveis, quando chegava na casa dos meus primos ia logo subindo na árvore ou fazendo bolo de grama e terra. hahahahaha, coitada da minha mãe pra lavar a roupa depois!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.