Não nasci para ser mãe

Maternidade sem romance
Maternidade sem romance
Não há romantismo em dormir em todas as camas da casa, todas as noites

Tem uma frase famosa da Simone de Beauvoir: “ninguém nasce mulher, torna-se”. No sentido de que há tantas nuances e tantos desafios em simplesmente ser mulher, que é preciso aprimorar, crescer, amadurecer. O que dizer da maternidade? Sabemos que não há paraíso nenhum onde que a gente possa padecer, mas sim um processo árduo, física e mentalmente trabalhoso. Sem folga, sem trégua. As recompensas existem, é claro, mas não se pode negar que o aprendizado e o esforço são bem mais presentes.

A foto é de uma época em que, todas as noites, eu dormia em todas as camas. Elas dormiam e eu ia para outra cama, em seguida elas vinhasm atrás e o processo se repetia até o amanhecer!

O texto que segue é da Maria Dinat.  Ela também é mãe de 3. Eu li no Instagram dela, não resisti e pedi autorização para mostrar para vocês. De uma forma tão sensível ela coloca em palavras o que eu sinto e acho que muitas de vocês vão concordar.

“Eu não nasci pra ser mãe.
Eu cuidava de minhas bonecas ( na verdade eu gostava de cortar o cabelo delas ), mas isso era o mais próximo de ser mãe que eu fui um dia.
Tinha planos de ser, quem sabe depois de viajar o mundo, sair na capa da Forbes, beber todas as Ipas do Planeta.
Eu não nasci pra isso, e acredito que nenhuma mulher também, mesmo aquelas que sonham desde sempre.
Mesmo aquelas com instinto, mesmo as cancerianas.
Não tem vocação pra isso, nem dom.
Ser mãe é um processo.
Longo e delicado.
Não tem livro que ensine sobre isso, nem um passo a passo.
Eu não me tornei mãe no exato segundo que meu filho nasceu, eu fui aprendendo no decorrer das horas.
É difícil dormir num dia de um jeito e acordar mãe no outro.
Por isso tem aquele chororô dos primeiros dias, por isso aquela baita culpa de pensar: pq eu fui fazer isso?
Ninguém nasce sabendo, mas chorando sim!
O choro que alerta, que acorda, que transborda.
Eu não nasci pra isso, mas me esforço pra entender, como aula de Física.
E conforme os dias passam, você pega os macetes, pega amor, vira bicho.
Dai sim você percebe que leva jeito, e logo se atreve em ser mãe de muitos.
E se atreve a dar conselhos, ou até tentar explicar o que não tem explicação.
Eu não nasci pra ser mãe.
Eu escolhi ser.”

 

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