Dias desse, em meio a tantos textos de mamães que lemos diariamente aqui na Marré deci, um em especial me deixou…. assim… ah… Sem palavras!

Vejam só:

Minha filha era a chuva

“Muito escutei na infância: ‘Criança não pensa.’ Criança pensa. Mas faz também algo mais importante, que amadurecendo desaprendemos: ela é. Contemplando uma mancha na parede, um inseto no capim ou a revelação de uma rosa, ela não está apenas olhando. Está sendo tudo isso em que se concentra. Ela é o besouro, a figura na parede, ela é a flor, o vento e o silêncio.”*

Minha filha hoje era a chuva. Uma das cenas mais bonitas que eu presenciei nesse período da minha vida. Tudo estava em silêncio, a casa aberta, até onde eu sabia, ela tomava suco na sala. A chuva, fininha, caía de mansinho lá fora, refrescando o calor da manhã. Dava pra cortar o silêncio. Estranhei e fui ver. Nem precisei me mover. Da pia da cozinha, olhei pela porta da sala e vi minha filha.

No meio do quintal, vejo um pequeno anjo loiro, de braços abertos, olhando o céu, pisca-piscando os olhos azuis e sorrindo, sentindo a chuva no rosto, a brisa leve e fresca no corpo. Ela estava entregue à chuva, à sensação. Seu sorriso era pura satisfação. Como queria uma máquina pra registrar o momento… Fiquei tão extasiada com a beleza da cena que tive medo de me mexer em busca da máquina, fazer algum barulho e estragar tudo. Então, fiquei só olhando, plena de felicidade.

“(…) E precisa que às vezes a deixem quieta, sem exigir que a toda hora se mexa, corra, fale, brinque, como se contemplação fosse doença.”*

Descobri que minha pequena, além de furacão, é extremamente contemplativa. Não é a primeira vez que estranho os seus silêncios e a encontro sendo alguma parte da vida. Às vezes são os cachorros, às vezes são as gatas, às vezes é a grama, o vento ou o sol. Já a surpreendi sentada no meio do gramado, com um cachorro de cada lado, olhos entreabertos, sentindo o vento no rosto, rindo gostosamente com a sensação. E ali ela fica, minutos a fio… Quando percebe meu olhar admirado, sorri e acena. Às vezes, levanta rapidamente e vem pedir colo, soltando-se em seguida e voltando pro seu lugar. Raramente ela desiste do seu momento.

“A criança imersa em seu ambiente participa de um processo maior do que ela, no qual desabrocha com pouca consciência. Porém ela tem algo mais valioso do que consciência: tem intuição de tudo, tem o saber inocente.”*

E como é lindo e pleno esse saber…

Esse texto, do blog Minha Casa Tem Quintal, é da Elaine: Mulher, mãe de um casal de pirulitos e esposa. É psicóloga junguiana, arteterapeuta e blogueira. Gosta de livros, mitologias, gatos e séries. E detesta maquiagem e salto alto.

Estou apaixonada. Sem mais.

Obrigada, Elaine.

Luisa

 

Category
Tags

One response

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.