Eu escrevi um texto há algumas semanas que acabou ficando nos “guardados”.

Hoje eu li um post que me animou a publicar o meu! Leia você também, vale a pena!

E aqui publico o meu, sobre a Marré deci:

Vocês que têm seus bebês agora são a primeira geração de mulheres criadas para serem cidadãs, atuantes e senhoras de si mesmas. Seus pais sonharam para vocês uma carreira e não um casamento. A felicidade de vocês não está mais condicionada à escolha do marido perfeito. Estão começando a entender que nós, as mulheres, podemos ser indivíduos, autossuficientes e felizes com as escolhas que fizermos. Casar, ou não! Ter filhos, ou não! Trabalhar, ou não!

Parece incrível, mas isto é novo. É tudo novidade. Eu, que estou ficando velha [pero no mucho], convivi com a mulherada da minha idade ainda bem incapaz de se assumir. Ouvi de várias colegas a preocupação de não ter se casado: “vou ficar para titia”. Ouvi de mulheres da minha idade: “ai, vou perguntar para o meu marido” ou,  a pior de todas:  “meu marido não deixa” .

Isso tudo foi sempre tão fora do comum para mim. Nunca entendi este comportamento, e sempre agi e me relacionei de forma diferente. Não porque eu buscasse ser diferente, mas apenas porque não cabia em mim, no meu entendimento, o comportamento que eu via.

Desta forma, desafiei meu pai, a sociedade, os valores.  Simplesmente agindo da forma como eu acreditava seria a melhor. Claro, ninguém entendeu! Todo mundo achou um absurdo que eu não tivesse escolhido um namorado, noivado e casado. Acharam estranho que eu tivesse uma turma e não um par. Acharam estranho que eu não me casasse, que eu parisse minhas filhas de cócoras, que eu amamentasse em livre demanda. Porque há 20 anos nada disso era comum. Mas eu entendia tudo como natural.

Quando foi para fazer uma empresa, eu quis fazer diferente também. Eu não acreditei que o pessoal que estava comprando as roupinhas ainda estivesse a fim da oncinha pintada, zebrinha listrada, coelhinho peludo. Porque o Titãs já tinha falado: “vão se f***”, quando escreveram Bichos Escrotos.

Eu pensei: esta moçada gosta de coisas que eu não vejo disponíveis para comprar, não tem nas lojas. Eles ouvem rock, jogam vídeo game. Fizeram intercâmbio, conheceram outras terras e outras gentes. Gostam de cores, usam computadores, são nerds, são descolados.

E foi assim que concebemos os produtos da Marré deci. Estas roupinhas passam a mensagem de que esta geração sabe mais do que as outras, interage mais do que as outras e está preparando filhos para um mundo novo, diferente de tudo que existe por aqui. As mulheres, principalmente, estão tomando seu lugar e reconhecendo seu valor, assumindo sua sexualidade e seu poder. Isto vai mudar o mundo.

Por isso na Marré deci não há princesas ou príncipes. Não há roupas para meninas ou meninos. Só temos roupinhas de bebê. De bebês que são filhos desta nova geração. Desta geração que é diferente.

Marina

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