Cuidar de bebê

Hoje é terça-feira, dia da Coluna do Especialista. E o post de hoje é da psicóloga Carla Poppa. Ela fala neste texto sobre a conquista da capacidade de ter esperança e do papel dos pais nesta conquista. Você não pode deixar de ler, depois conte para a gente o que você achou…

A conquista da esperança

Ao longo dos primeiros meses de vida, o bebê encontra-se em um estado de dependência absoluta e precisa de um cuidador que esteja adaptado às suas necessidades de maneira absoluta. Quando tudo corre bem e essa sintonia pode se estabelecer, os cuidados oferecem o que o bebê precisa na medida e no momento em que ele precisa. Do ponto de vista do bebê, essas experiências proporcionam a ilusão de que foi ele quem criou aquilo que ele precisava. É com base nessa ilusão inicial que, aos poucos, ele começa a confiar que será atendido sempre que precisar. Aqui, se constitui a base da esperança, o registro de que não importa o que aconteça, o mal estar será passageiro, o desfecho será positivo.

É importante ressaltar que em um segundo momento no processo de desenvolvimento, os pais precisam desiludir o bebê. Aos poucos, conforme retomam a atenção para seus outros interesses, eles deixam de atender às demandas do filho tão prontamente. Em certo sentido, começam a “falhar”, mas uma vez que o bebê alcançou a capacidade de confiar, ele já pode lucrar com as experiências de frustração e limites e alcançar novas conquistas. No entanto, nesse texto, pretendo focar na primeira conquista do processo de desenvolvimento humano: a conquista da capacidade de confiar e de ter esperança diante das adversidades da vida.

É, portanto, a relação de amor entre os pais e seu filho (a) que ensina à criança sobre a esperança; um aprendizado que não é racional, não passa pelo registro cognitivo, mas é sensorial, vivencial, compartilhado entre duas pessoas. Colocar-se em segundo plano e ir ao encontro do bebê para sintonizar com o que ele precisa é oferecer muito mais do que a satisfação da necessidade fisiológica. Essa postura proporciona a capacidade de acreditar que o mundo é um lugar bom e permite que a criança possa suportar frustrações no futuro, pois ela vai saber que essas situações são passageiras.

A conquista da capacidade de ter esperança ajuda a criança e mais tarde, o adulto a lidar de maneira positiva diante das adversidades que a vida possa lhe apresentar. Um adulto que alcançou o registro da esperança consegue conceber que as dificuldades e imprevistos do cotidiano são passageiros. Desse modo, diante de uma experiência potencialmente traumática (separações, perdas, violências, doenças…), ele é capaz de usar seus recursos para reagir e lutar. Por outro lado, a pessoa que não tem o registro da esperança, não concebe o caráter transitório da adversidade; ela permanece aprisionada no sofrimento, paralisada. O sofrimento se apresenta de maneira intensa e sem a perspectiva do fim, a pessoa se perde no desespero.

Mesmo quando a conquista da esperança fica comprometida na infância, o ser humano tem dentro de si, a capacidade de buscar aquilo que precisa nas relações que estabelece ao longo da vida. A transformação pode acontecer na medida em que outra pessoa se disponibiliza a sair da sua maneira usual de ver e entender o mundo e consegue se colocar no lugar de quem esta sofrendo. Uma pessoa em crise, desesperançada, precisa compartilhar a sua dor. Ela precisa constatar que o outro sentiu o mesmo que ela e sobreviveu. Assim, a esperança só pode ser constituída seja na infância, seja na vida adulta por meio de uma relação de amor.

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2 Responses

    • Olá Vera,
      Nós também gostamos muito dos posts da Carla e vamos encaminhar sua mensagem para ela. Ficamos muito felizes por que afinal, acabamos mediando este encontro de vocês. Espero que você tenha gostado do Blog da Marré deci e convidamos para conhecer nossa loja: marredeci.com.br. Venha sempre nos visitar, ok?
      Marina

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