Quando falo que nós, mães, ficamos meio birutas, não é eufemismo. É a pura e dura realidade.

Já começa na gravidez, com alguns distúrbios de orientação e equilíbrio. E daí vai pela vida afora! Não sei se tem cura.

Por poucos períodos em minha vida eu fui funcionária. A maior parte do tempo ou fui autônoma ou mantive pequenos empreendimentos. O que me deu alguma maleabilidade na organização do tempo, porém, não me garantiu a licença maternidade. Logo depois que as meninas nasciam, eu já entrava na “ativa” novamente.

Sorte, o universo me proveu algumas mulheres cúmplices e conseguimos sobreviver todas ao período de nascer-crescer-voar.

Mas teve um dia em que eu vim para casa no carro da polícia.

Nesta época o escritório ficava a algumas quadras de casa. Coisa de 15 minutos de caminhada.

E bate o telefone. Era minha filha mais velha, com toda sua intensidade:

-Mããããe! A Marta caiu do sofá!

Não deu tempo nem de colocar o fone no gancho e eu já estava na porta! Saí correndo. Uma quadra depois e eu tinha a certeza de que meu preparo físico não me permitiria chegar viva em casa! Mas continuei correndo. Louca! Desvairada!

Foi aí que vi um carro da Polícia Militar. Não houve dúvidas! Fiz sinal, acenei… e pararam. Acho que foi pena… Eu devia ser uma figura esquisitíssima. Vermelha, suada, desesperada. Mal pararam eu desandei a falar. Pedir. Implorar.

– Caiu a menina! É um bebê! Pelo amor de Deus! Tenho que chegar em casa!

Até hoje não sei se eles julgaram mais seguro me colocar dentro de algum lugar e não deixar uma louca solta na rua. O fato é que me botaram atrás, no camburãozinho e me levaram.

Chego em casa, olho para cima. (Cadê as ambulâncias, meu Deus?) A única coisa que vejo é a Rita, minha fiel escudeira, sorrindo na janela, com o bebê no colo. Tranquila! Foi então que voltei à realidade e visualizei a cena… Chegando em casa no camburão! Dei mais uma olhadinha rápida para o prédio. Tem mais alguém nas janelas?

Quando entro em casa, ela me diz:

-Eu liguei para te avisar que estava tudo bem, mas você não atendeu o telefone. Acho que já tinha saído!

Marina

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