Dia Internacional contra a Homofobia

Dia de combate à homofobia

O Dia Internacional contra a Homofobia marca a data em que a homossexualidade foi excluída da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde da Organização Mundial da Saúde, no ano de 1990. No Brasil, a data foi instituída por decreto em 2010 como Dia Nacional de Combate à Homofobia.

Vamos analisar por partes:

1 – Essa Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde é o que usualmente conhecemos como CID. É uma publicação da Organização Mundial de Saúde para padronizar a codificação de doenças e problemas de saúde. O médico escreve na receita quando pede um exame, já deve ter acontecido com você.

2 – Se a homossexualidade foi excluída do CID, significa que a Organização Mundial de Saúde afirmou em termos claros que homossexualidade não é doença e também não é problema de saúde.

E não é uma característica exclusiva dos humanos. Existem estudos que comprovam a homossexualidade em cerca de 500 espécies e indícios que ocorrem em mais de 5000 espécies.

3 – Homofobia é o preconceito, a discriminação com relação a pessoas que são homossexuais ou que tem comportamento fora do padrão, seja por se vestirem de forma diferente, por terem comportamentos que não são considerados comuns para o seu gênero.

Terminadas as definições, vamos à reflexão.

Nestes vários anos em que trabalhamos a quebra de estereótipos e a eliminação de preconceitos na Marré deci, pudemos observar o quanto a palavra FOBIA é importante. Fobia, em grego, significa medo. E de medo em medo vamos vivendo. Dos medos que temos, dos que criamos e dos que são criados para nós. Vivemos em uma sociedade muito pródiga em criar medos.

Quando colocamos nossa proposta de trabalhar produtos sem diferenciação binária por gênero, quando ecoamos, no propósito da loja, o fim dos estereótipos de qualquer tipo, a primeira resposta que vem é:

Por que? Por que vocês querem mexer em algo que sempre foi assim? Por que vocês querem mudar?

Muitas mães e pais ficam brabos conosco. E nos dizem, quando afirmamos que meninos podem brincar de boneca, se desejarem:

Meu filho brinca com o que eu deixar.

Sim, é muito importante que todos os pais e mães supervisionem os brinquedos das crianças. Mas é importante entender que a sexualidade não está relacionada aos brinquedos.

Na verdade, enxergamos imediatamente o medo escondido nestes questionamentos.

À mente apavora o que ainda não é mesmo velho. (C. Veloso)

A minha parte mãe entende esse medo. Nós não queremos que nossos filhos sofram, que sejam discriminados. Então estamos, na parentalidade, com medo que os filhos se apresentem de maneira diferente. Nem é tanto porque não aceitamos o diferente, mas é porque não queremos vê-los sofrer. Estamos com medo dos outros. Ou estamos julgando nosso próprio comportamento. Talvez lá no fundo não estamos aceitando o outro da forma como gostaríamos de aceitar.

Aceitar as pessoas, nossos filhos ou não, exatamente como eles são é que vai quebrar o preconceito. Precisamos escolher a batalha certa. Em vez de lutar para adaptar as pessoas a uma suposta naturalidade, desrespeitando o próximo nas suas características e talentos, forçando a barra para que se enquadre nos padrões aprendidos, vamos lutar para que as pessoas sejam aceitas em suas diversidades, sejam elas quais forem.

Se é para ter medo, então vamos canalizar nosso medo. Vamos ter medo do preconceito e lutar contra ele. Vamos ter medo do estereótipo e quebrar todos eles. Vamos ter medo da mesmice e ousar todos os dias. Assim quem sabe consigamos transformar estas coisas em coisas velhas que já não apavoram tanto nossa mente. Quem sabe assim não precisaremos mais combater a homofobia, porque ela não mais existirá, e as pessoas finalmente poderão simplesmente ser o que desejarem ser.

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