Reflexão sobre o dia dos pais

Reflexão sobre o dia dos pais

Apesar de ser o blog da Marré deci, este blog acabou saindo bem intimista porque a pessoa que escreve, “no caso” eu, não está tendo a capacidade de falar com isenção sobre assuntos tão emocionais como os filhos, as mães e os pais. E o resultado é que falo muito do que sinto e da forma como sinto e vejo o mundo e as relações familiares, sempre com base na minha experiência.

Este é o motivo pelo qual este post não está querendo sair. Tenho muita dificuldade com o assunto “pai”.

Eu fui muito ligada ao meu pai (ou o meu pai foi muito ligado a mim, talvez seja o mais certo dizer) até cerca de 5 ou 6 anos de idade. Pequena, ele me ensinou assim,  eu costumava chamá-lo de “peito amigo” e andava como uma sombra ao lado dele.  Ele me carregava a todos os lugares.  Algumas vezes cheguei a viajar, só eu e ele, viagens de 2 ou 3 dias. Tenho uma memória fantástica de visitar uma livraria e comprar livros. Lembro até hoje destes livros e posso sentir o cheiro da tinta.

Mas aconteceu que, de repente, tudo mudou. Nada mudou na estrutura da vida que levávamos, apenas no relacionamento entre mim e ele. Ele simplesmente me abandonou. E este processo marcou profundamente meu desenvolvimento e a minha capacidade de confiar nas pessoas.

Depois aconteceu quase a mesma coisa com minhas filhas e o pai delas. Coincidência ou casei com meu pai? Não é isso que dizem? Que buscamos um parceiro espelhado em nossos pais?

É esta a reflexão que gostaria de provocar em você que está lendo agora. É extremamente difícil criar os filhos. Trabalhoso, e às vezes dolorido. É um processo de crescimento e amadurecimento conjunto. É chegar ali na frente, olhar para trás e ver que fizemos um monte de coisa errada, que perdemos oportunidades ótimas de oferecer mais amor aos nossos filhos. Olhar para trás e ver que perdemos excelentes ocasiões de ser mais exigentes e mais duros com eles, pelo bem deles. É ver que perdemos a coerência, perdemos a paciência. Mas todos os erros serão perdoados, todas as falhas terão uma chance de ser recuperadas, porque afinal somos humanos. Só que, para que as mágoas não se instalem, nossos filhos têm que saber que não teremos preguiça de brigar, corrigir, orientar. Eles têm que saber que estaremos prontos para amar, agradar, acariciar.

Só não podemos desistir de nossos filhos. O preço desta desistência é alto. O preço do descaso é altíssimo.

Se você é pai, ou mãe, ou pãe, o que for, aguente firme, fique na linha, mantenha a posição. Seu filho precisa. E, neste caso, se você está aí como uma rocha, na beira do abismo, mas agarrado nas raízes, podemos dizer: Feliz dia dos pais, você merece.

 Marina

 

 

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