futebol

Eu adoro carnaval. Não caio na folia, não vou para a avenida, sequer aos bailinhos dos clubes. Mas adoro. Porque é feriado laico. Eita coisa boa! Não há obrigações. Não é preciso comprar nada. Não é preciso almoçar ou jantar na casa de ninguém. Se quiser se acabar no samba, tá valendo. Se quiser se acabar no silêncio, vale também. É isso que amo tanto: liberdade irrestrita.

Sei que por trás da festa tem as maracutaias. Sei que tem a questão do tráfico, dos bicheiros, da corrupção. Sei que há mais do que a festa, na história das escolas de samba e dos blocos carnavalescos. Mas, quando ouço a bateria de uma escola de samba, qualquer uma, ou um bloco ou trio elétrico, esqueço tudo. Acho simplesmente mágico, estonteante, enebriante aquele som. A euforia com que tocam, e dançam ao mesmo tempo, e não erram, não perdem o ritmo. Isto é a essência da cultura popular. Não dá para ficar ileso. Algum sentimento aflora.

E futebol? Odeio futebol. Nunca gostei muito de esportes em geral. Meio nerd, tinha que fazer prova escrita de educação física para não reprovar. Passava em todas as matérias, ficava em Educação Física. Sempre foi o tormento de minha vida. Não levo jeito, não gosto.

Até que…

Minha filha é uma superesportista. Joga de tudo. Principalmente futebol. Parece que nasceu com a bola no pé! E tive que começar a jogar. Futebol, vôlei, basquete. Aprendi alguns fundamentos e algumas regras para poder conversar com ela, jogar bola com ela. Ela está assistindo a todos os jogos desta Copa. E eu entendo perfeitamente. Do mesmo jeito que eu esqueço de todos os argumentos quando escuto o batuque de uma escola de samba, assim ela também tem o coração cheio de entusiasmo quando a bola corre no campo.

Assisto a algumas partidas, para ser companhia e adoro tudo aquilo através dela. Assim criamos os nossos laços, nossa cumplicidade.

Claro que tem coisas que elas gostam e eu não gosto. E respeitamos as opiniões. Também faz parte. Mas é preciso que se perceba quando se deve apoiar e ser cúmplice.

Apoiei a mais velha quando a escolinha ofereceu judô para os meninos e balé para as meninas. A minha menina queria lutar judô. Lá fomos nós, brigar por igualdade. E conseguimos.

Apoiei a mais nova quando se sentia insegura para jogar futebol, porque os meninos é que jogavam. Ela era a única menina. Agora eles vêm convidá-la para jogar.

Apoiei quando queriam comprar carrinhos de controle remoto e as vendedoras diziam que era para meninos. Ou roupas que não fossem cor de rosa com bichinhos.

Não interessa o que eu gosto. A cor, o brinquedo, o esporte que me agrada. Mas interessa muito propiciar  o direito de gostar e assegurar a cada uma acesso às coisas que gostam. Nem que para isto tenhamos que assistir aos jogos de futebol! #VaiBrasil!

Marina

 

 

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