Consumismo com Isabela Kannup

Terça-feira… Dia da Coluna do Especialista. E nossa especialista de hoje é uma especialista em ser mãe que fala sobre consumismo e sobre como ficamos escravos do consumo. Este texto combina muito com a gente aqui na Marré deci e agradecemos a Isabela por  nos permitir a reprodução de seu post. Para ler no original, clique aqui. Tomara que você goste!

Esses dias  eu li um texto muito interessante, que fez dar o gancho para esse texto. Há muito tempo venho pensando e analisando sobre isso.

Quando eu estava grávida eu estava fodida e mal paga, não estava nos meus planos ter um filho, logo não estava nas minhas finanças também. Filho da gasto.
Ganhei muita coisa, gastei pouco comprando as coisas do enxoval e tive a grande ajuda de fazer um chá de bebê, ganhar muita fralda, etc.

O berço eu ganhei do meu irmão, tinha sido do meu sobrinho. O carrinho de bebê eu ganhei da minha tia e ela havia comprado em um brechó. E o outro carrinho de bebê que tivemos, herdamos do primo da Beatriz.

Em 2009 não tinha tantos blogs como tem hoje sobre esse tema, não tinha tanta informação e o que tinha era bem pouco divulgado. Logo eu dependia do que os outros (tias, vizinhas, mães de amigas) diziam que era necessário pedir no chá de bebê/comprar.
Também usei aquelas listas prontas de sites.

A conclusão que cheguei hoje, quase 4 anos depois ( 3 anos e 2 meses de Bia + 9 de gestação), é que eu gastei muito dinheiro com coisas desnecessárias. Coisas que simplesmente não tem necessidade alguma. Não, seu filho não PRECISA ter tal coisa. Seu filho precisa ter amor.

Lembro que eu fiquei super mal porque não conseguia comprar um “kit higiene” que na época custava em média R$120. Hoje eu penso “sério que eu fiquei de bode por causa da merda de um kit higiene que não há necessidade alguma de se ter?” Com o tempo eu descobri que existem alternativas, e mais uma vez, que nem tudo o que dizem que você precisa você realmente precisa.

Beatriz se usou dois meses o berço foi muito. Fico feliz por ter descoberto (através de muita leitura, e outras pessoas que incentivaram) a cama compartilhada. Assim como ela pouco usou as mamadeiras que ganhou no chá de bebê. Porém, precisei comprar algumas coisas que ninguém me contou que precisava. Afinal, vivemos em uma cultura onde o“pro amamentação” é só na propaganda da TV. Porque na realidade, o incentivo é contra.

Vivemos em uma cultura em que precisamos ter tudo, porque se não se tem tudo não se é feliz. Precisamos proteger nossos filhos de tudo, comprar protetores de tomada, de quinas, portões para privar nossos filhos de andar dentro da própria casa, sabonete anti mil coisas. Vivemos na cultura da bolha.

Porque é mais fácil viver na bolha, é mais fácil (e  lucrativo) vender sabonete do que informação. Colocar um portão privando seu filho de irem tal lugar do que dizer e ensinar que não pode. Explicar é cansativo, vamos colocar um portão!

É mais lucrativo para as empresas, dizer que você PRECISA ter um carrinho de passeio e um carrinho “ caminha”. É mais lucrativo para as empresas dizer que você PRECISA de um esterilizador de mamadeiras caríssimo, quando na verdade, nem de mamadeira uma criança precisa.

Afinal, que lucro tem essas empresas com a amamentação? Que lucro tem essas grandes empresas com o sling?
Incentivar a amamentação e perder tantos potenciais “usuários” de fórmulas? Jamais! Pra que oferecer informação?
Seu filho PRECISA dessa fórmula. Seu filho PRECISA desse mingau. Seu filho PRECISA ter todos os brinquedos de tal marca porque se não, ele não irá se desenvolver corretamente assim como seus amiguinhos!

Afinal, como mãe você é incapaz de estimular seu filho sem a ajuda daquele maravilhoso DVD, ou sem a ajuda daquele super brinquedo pedagógico com tantos estímulos, você como mãe, é incapaz de fornecer o melhor alimento para o seu filho. É incapaz de dormir junto com o seu filho, afinal, isso faz mal, cria crianças dependentes! Você, como mãe, é incapaz de cuidar do seu filho, observar e educar sem a ajuda daquele maravilhoso portão que o separa do resto da casa!

Vivemos em uma sociedade que em todos os momentos pregam que você PRECISA de coisas que você não precisa. Que prega a todo instante que somos incapazes.

Mas não é bem assim.

Por fim gostaria de dizer que segurança é sim necessário e prevenir é melhor do que remediar, mas pense, use seu senso crítico e veja se existe a real necessidade dentro da sua casa. Porque nem tudo que foi necessário para o fulano, pode ser para sua casa, sua família, sua rotina.

E confie sempre em você e na sua capacidade!
Procure informação, ler, conversar com outras pessoas, trocar ideia, é sempre bacana e enriquecedor! E lembre-se sempre de avaliar a real necessidade daquilo para a sua vida, ver se realmente você e seu filho precisam daquilo ou não.

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